LEITURAS CAMILO CASTELO BRANCO XV
Seleção de Maria José Areal
Meu amigo
Continuo bem adoentada e constipada. Camilo na mesma, mas o médico afiança que o há-de pôr a ver dentro de 3 meses. Deus o oiça!
Respeito ao seu negócio, pode mandar aqui quem quiser para cumprir as formalidades exigidas por lei, conquanto que seja a hora própria para não incomodar muito o doente, que como sabe é bastante impertinente.
A D. Carlota Syder diz que o conteúdo da sua carta era a oferecer-lhe a tal tradução de um conto em inglês muito bonito. Está pronto.
Quer saber se o meu amigo o aceita por 30 mil réis. Creio que é pequeno; pelo que me informa é para 100 a 15o pág., correcto por Tomás Ribeiro, que verá as provas.
Peço respostas para dar conta da missão de que fui encarregada.
Recebi (e não sei se já lhe falei) as obras de Gil Vicente. Mandei-as vir daí por me dizerem que se as obtinham mais baratas: aqui custam 2400. Sempre se lucrou um cruzado.
Adeus, meu amigo. Muita saúde e felicidade.
Ana Plácido
N.B. – continuo na mesma casa, Rua Capelo, 26.
(maio de 1889)
Camilo Castelo Branco, “Cartas de Camilo aos Editores António Maria Pereira” , colectânea inédita, prefácio e comentários de Alexandre Cabral, pág.245 – 1973 – edição, Parceria A. M. Pereira, Lda.

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