LEITURAS DE ANTÓNIO MONCADA S. MENDES
Seleção de Maria José Areal
O meu avô deixou o Brasil – não sem antes ter recebido uma grande homenagem da comunidade portuguesa de Curitiba – levando consigo toda a sua família, aumentada pela pequena Joana, a “brasileira”, para o doce clima da Beira Alta, e muitas histórias para escrever e contar. Foi para a casa do Passal, dirigir os melhoramentos e ampliá-la ao estilo francês. Com a mansarda, a casa passou a ter mais seis grandes quartos o outros mais pequenos. Parecia que que pressentia que um dia esses quartos seriam precisos para acolher pessoas a título excecional. No hall da mansarda guardou-se um espaço onde se erigiu uma capela com acabamentos de boa madeira e um belo altar. Esses trabalhos serviam também para cimentar as suas relações com os artesãos e trabalhadores de Cabanas. Vários artistas da região participaram no embelezamento do interior da casa, pintando motivos florais, ao longo da junção das paredes com os tetos e nos próprios tetos. Também foram pintados motivos ligados à história da família.
Aristides e Angelina estimularam os filhos a relacionarem-se com famílias cabanenses através da participação em festas populares e religiosas. A quase totalidade dos seus filhos foi convidada e ser padrinho ou madrinha de crianças das famílias da terra. Muito mais tarde, quando eu ia de visita Cabanas de Viriato, apareciam diversas pessoas a dizer: “Sou afilhada do Geraldinho”, ou “Sou afilhada da Clotildinha”, ou “da Isabelinha”, “conheci muito bem o seu paizinho”, etc. E assim se criava um sentimento de comunidade de pertença. Os padrinhos ou as madrinhas iam escrevendo e mantendo e relações de amizade com os afilhados, e enviavam-lhes lembranças várias vezes ao ano, especialmente pelo Natal. …
António Moncada S. Mendes, “Aristides de Sousa Mendes – Memórias de um neto” De volta à Casa do Passal, Págs. 78, 79, 1.ª Edição Desassossego – livro
Imagem in: https://fundacaoaristidesdesousamendes.pt/requalificacao.../
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